Considerações adicionais: Futuro do Jornalismo

13/05/2009

Abrindo um pequeno parênteses nas discussões jurídicas no Blog, volto a ponderar sobre o futuro do Jornalismo e sua relação com os novos meios digitais.

Colaciono abaixo recente reportagem da Folha de São Paulo que me chamou a atenção. A reportagem em si, nada mais é do que a transcrição de emails trocados entre dois professores e jornalistas americanos, sobre o futuro do jornalismo profissional e sua relação com a internet.

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Em primeiro lugar, é interessante notar, que o Paul tem 60 anos, e o Steven 40. Nesse tipo de discussão, é natural que um debatedor vinte anos mais velho tenha mais restrições com tecnologias recentes do que o mais novo, certamente muito mais ambientado e familiarizado com elas. Dito isso, como estamos em um período de transição, não só no jornalismo, mas em praticamente todos os campos e facetas da sociedade, esse tipo de discussão é natural e extremamente saudável.

Ao meu entender, é inegável que a distribuição de conteúdo por meios digitais é muito mais eficiente, econômica e ecológica do que imprimir e despachar milhões de toneladas de papel diariamente. Não vou entrar no romantismo táctil da questão, mesmo porque isso é muito subjetivo. Eu mesmo nunca gostei de ler jornal em papel…além de sujo e volumoso, demanda uma certa habilidade manual que nunca tive.

Afirmar que o bom jornalismo, e a própria democracia, está atrelado à existência de jornais em papel é inteiramente equivocado. Em nenhum momento da história da humindade, acontecimentos políticos, sociais ou naturais ganham tanto destaque e se disseminam com tanta rapidez do que nos dias atuais. A campanha presidencial americana de 2008 é um dos maiores exemplos disso. Será que o Obama teria vencido as eleições se a internet não existisse? Acho extremamente improvável…

Ao invés do apego ao passado, receio do novo e romantismos irracionais, é necessária a reinvenção do jornalismo profissional. A migração dos jornais para meios digitais não é só uma questão de virtualização per se, mas de economia também. Como bem sabemos, em função de nossas impressoras domésticas, papel e, principalmente, tinta, são matérias primas caríssimas e representam grande parte dos gasto dos jornais atualmente. Isso sem contar os gastos com transporte diário da edições, que também são altíssimos.

Acredito que vocês já tenham ouvido falar no Kindle, da Amazon.

http://www.amazon.com/Kindle-DX-Amazons-Wireless-Generation/dp/B0015TCML0
http://www.amazon.com/The-New-York-Times/dp/B000GFK7L6

O NYT, conforme noticiado em alguns podcasts de tecnologia que acompanho, está estudando a hipótese de subsidiar o aparelho para conquistar novas assinaturas do jornal. Achei esta idéia magnífica. Se isto for divulgado e difundido em larga escala, o jornal só tem a ganhar, já que reduziria drasticamente seus gastos com papel, tinta e transporte.

Como diz o ditado em inglês, é preciso pensar outside the box para resolver estas questões.

O caso da RIAA (associação de gravadoras americanas) e suas tentativas de garantir a subsistência do antiquado modelo de músicas em CD pode servir de paradigma para a indústria jornalística. Ao invés de adotar o MP3 há 10 anos, quando o Napster estava estourando, optou-se pela perseguição e nulificação dos meios de distribuição digital. Como se sabe, estas tentativas falharam e somente de alguns anos pra cá as gravadoras começaram a adotar a distribuição digital de forma mais eficiente….

A digitalização de todo tipo de informação é inevitável, sejam fotografias, cartas, livros, músicas ou notícias, basta ver a história recente. Quanto antes a indústria do jornalismo profissional enfiar isso na cabeça, melhor pra toda sociedade…


The Future of Journalism: Communications, Technology, and the Internet

11/05/2009

Foi realizada na semana passada uma audiência realizada pelo Senado americano envolvendo a criação de um subcomitê chamado The Future of Journalism: Communications, Technology, and the Internet.

Além do vídeo integral do evento, clicando no nome de cada palestrante é possível baixar a transcrição em PDF de cada exposição.

http://commerce.senate.gov/public/index.cfm?FuseAction=Hearings.Hearing&Hearing_ID=7f8df1a5-5504-4f4c-ba34-ba3dc3955c6

Destaco, especialmente, a exposição de Steve Coll, ex-editor do Washington Post e James Moroney, CEO do Dallas Morning News. Eles vão exatamente em cima da crise sem precedentes dos grandes jornais americanos, aproveitando a oportunidade para fazer um lobby no Senado em busca de algum tipo de respaldo legal que permita a sobrevivência dos grandes jornais que ainda não fecharam as portas.

Por outro lado, uma vice-presidente do Google faz uma avaliação de como os produtos e serviços da empresa, especialmente o Google News, ao contrário do que muitos pensam, acabam contribuindo para o aumento do número de leitores e incremento de receita oriunda da publicidade dos jornais. Finalmente, destaco alguns trechos da palestra da co-fundadora do The Huffington Post, que se assemelha ao que penso, não só para o jornalismo, como para a indústria do cinema e da música, que se dizem tão afetadas pela Internet.

Like any good news story, let me start with the headline: Journalism Will Not Only Survive, It Will Thrive. Despite all the current hand wringing about the dire state of the newspaper industry — well-warranted hand wringing, I might add — we are actually in the midst of a Golden Age for news consumers.

Can anyone seriously argue that this isn’t a magnificent time for readers who can surf the net, use search engines, and go to news aggregators to access the best stories from countless sources around the world — stories that are up-to-the-minute, not rolled out once a day? Online news also allows users to immediately comment on stories, as well as interact and form communities with other commenters. Since good journalism plays an indispensable role in our democracy, we all have a vested interest in making sure that our journalistic institutions continue producing quality reporting and analysis. But it’s important to remember that the future of quality journalism is not dependent on the future of newspapers.

But what won’t work — what can’t work — is to act like the last 15 years never happened, that we are still operating in the old content economy as opposed to the new link economy, and that the survival of the industry will be found by “protecting” content behind walled gardens.

And the answer can’t be content creators attacking Google and other news aggregators.

No, the future is to be found elsewhere. It is a linked economy. It is search engines. It is online advertising. It is citizen journalism and foundation-supported investigative funds. That’s where the future is. And if you can’t find your way to that, then you can’t find your way.


STF e CNJ firmam parceria com o Google

05/05/2009

Esta é sem dúvidas uma excelente iniciativa, na medida que permitira a todos os cidadãos, incluindo os integrantes da comunidade jurídica, que acompanhem os julgamentos de interesse no STF na hora e local de preferência.

O STF será a primeira Suprema Corte a disponibilizar conteúdo no YouTube. Durante audiência na tarde desta segunda-feira (4), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, recebeu o diretor-geral do Google para a América Latina, Alexandre Hohagen, e o diretor de Políticas Públicas e Relações Governamentais da empresa no Brasil, Ivo da Motta Azevedo Corrêa. Eles firmaram parceria para utilização de ferramentas tecnológicas desenvolvidas pelo Google com o objetivo de melhorar a comunicação do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com a sociedade. Uma das propostas é a criação de um canal do YouTube para o STF e para o CNJ a fim de que as pessoas possam acessar as informações veiculadas pela TV Justiça sobre as atividades que essas instituições têm desenvolvido.

A intenção é que o internauta acesse, por exemplo, vídeos dos julgamentos pela Internet em qualquer hora e lugar. Com a cooperação tecnológica também se pretende viabilizar projetos do CNJ e criar ferramentas para a melhoria da comunicação institucional das duas Casas, com a busca de informações a processos e integração de juízes e advogados em todo o país. “Atualmente, a Justiça brasileira conta com cerca de 15 mil magistrados que, por meio desse projeto, poderão trocar experiências e nivelar o conhecimento”, disse Ivo Corrêa, ressaltando que a programação da TV Justiça poderá ser acompanhada a qualquer momento, com possibilidade de download, o que resultará na “desobstrução de toda a banda do Supremo que tem sido bastante utilizada porque a TV Justiça é muito acessada, tem uma grande demanda”. Um grupo foi formado para discutir as prioridades e implementar o projeto em curto prazo. A operação será da TV Justiça, cabendo ao Google disponibilizar a plataforma.

Fonte: STF


Ministério Público Federal Denuncia Usuário do Orkut

04/05/2009

O Ministério Público Federal de São Paulo denunciou no final do mês de Abril um usuário do Orkut. Segundo O MPF, R.C., de 21 anos, teria praticado e estimulado discriminação racial e religiosa. O denunciado fazia parte da comunidade Mate um Negro e Ganhe um Brinde. Em um tópico de discussões desta comunidade, R.C., teria defendido a eliminação d todos eles e proibir a internet gratis sei la como eh neh siegheil camaradas (sic). A posição do procurador Sérgio Suiama é bastante pertinente e coaduna-se com o a ação descrita neste post, com inicial aqui reproduzida e sentença proferida recentemente. Segundo Suiama, a Procuradoria da República em São Paulo já ajuizou outras ações por crimes de ódio praticados na internet. Os usuários brasileiros precisam saber que a internet não é ‘terra de ninguém’, e que os crimes cometidos no Orkut serão investigados e punidos, na forma da Lei


Escritórios de Advocacia Brasileiros no Twitter

06/03/2009

O Twitter ainda dá seus primeiros passos no Brasil. Ainda que de forma muito tímida, já é possível observar um pequeno número de escritórios de advocacia utilizando esta nova ferramenta para divulgar sua prática e disponibilizar notícias relevantes, ajudando na captação de clientes e no enriquecimento do cenário jurídico brasileiro.

No exterior, o Twitter já está presente no cotidiano dos escritórios de advocacia há algum tempo. Neste link, é possível acessar uma listagem com as maiores firmas estrangeiras que integram o serviço.

O objetivo deste post é justamente divulgar e manter atualizada a relação de escritórios brasileiros com presença no Twitter. Caso conheça algum que não está listado, deixe um comentário!

Abaixo a lista das firmas nacionais com presença no Twitter em 06/03/2009.

Covac Sociedade de Advogados: http://twitter.com/advcovac

Baranchini Advocacia: http://twitter.com/baracchini

Vargas Advogados: http://twitter.com/vargasadvogados

Marlos Nogueira Advogados Associados: http://twitter.com/mnogueirajus


Projeto 701 – O Maior Desafio da Blogosfera Jurídica Brasileira

03/03/2009

No dia 1º de Março, foi inaugurado o Projeto 701, que tem como objetivo incentivar a criação de 701 novos Blogs Jurídicos em 6 meses no Brasil. Certamente os benefícios para a comunidade jurídica nacional com a expansão dos chamados Blawgs serão tremendos! Parabéns ao advogado Gustavo D’Andrea pela iniciativa.

Maiores informações podem ser obtidas neste verbete da Forensepédia.


A Digitalização da Vivência Jurídica

18/02/2009

Há tempos sou um ferrenho defensor da total digitalização da vivência juridica, tanto na seara educacional, como na efetiva militância. Desde 2002, início do meu bacharelado em direito, passando pelas minhas aulas de especialização, LL.M e pós-graduação, utilizo smartphones e laptops para apontamentos e agendamento de compromisso. Também desde os tempos de estagiário, venho travando batalhas argumentativas com outros advogados sobre as vantagens da virtualização da prática advocatícia.

Certamente, ainda estamos limitados pela lenta modernização do Poder Judiciário, que só agora inicia a adoção do processo digital. De qualquer forma, nada impede que escritórios de advocacia e profissionais liberais modernizem sua prática e abandonem, sempre que possível, o papel. Agendas, pastas processuais e documentos em caixas de papelão são itens anacrônicos, deslocados e desgraçados quando comparados ao momento histórico, tecnológico e ambiental que vivenciamos.

Não há nada melhor do que mandar tudo para nuvem! Processos, documentos, prazos e compromissos estarão sempre disponíveis para acesso, tornando sua prática mais moderna, dinâmica, ágil e eficiente. A minha experiência com tecnologia é recompensadora e, ainda que isto em um primero momento possa provocar desconfiança, seja própria ou alheia, em breve você, seus colegas e clientes notarão os benefícios da irrestrita virtualização.

Evidentemente, no caso de documentos e processos sensíveis, será necessário algum investimento na parte de TI visando ampliar a segurança no acesso aos dados. De qualquer forma, uma vez tomadas as precauções cabíveis, fico muito mais tranquilo com um documento digital sigiloso criptografado do que com a mesma informação guardada em algum arquivo de escritorio.


A simetria entre Blogs e Twitter

12/02/2009

Desde que ingressei no Twitter, ando pensando na relação entre esta crescente rede social e os já tradicionais blogs, especialmente os jurídicos. Seriam estes serviços rivais? Em um primeiro momento pode-se pensar que sim, na medida que é muito mais fácil acompanhar alguém pelo Twitter do que por um Blog, mesmo que seja via RSS.

Confesso que venho atualizado o Twitter com mais frequência do que o Blog, mas isso não quer dizer que abandonei um serviço pelo outro. Para pequenos posts, com links para matérias interessantes ou indicações de comentários alheios, o Twitter é muito mais apropriado, tendo em vista sua facilidade, praticidade e informalidade.

Por outro lado, grande parte das mensagens no Twitter, e suas indecifráveis tinyurl´s, redirecionam para um Blog, onde a idéia central do tweet é dissecada e analisada com a eloquência necessária; algo inviável em apenas 140 caracteres.

A grande verdade é que os serviços possuem uma simetria e complementaridade quase perfeitas.

Para aqueles que utilizam o Twitter de forma séria e profissional, é fundamental que tenham um Blog dando suporte aos seus tweets. Em uma analogia interessante feita por Kevin O´Keefe, sem um Blog, sobre o que as pessoas vão falar sobre você no Twitter? Que é um cara legal? Sem um Blog, qual o link que irá colocar no seu perfil do Twitter? Sua firma de advocacia? Típico e chato…

Portanto, Blog + Twitter + TwitterFeed = excelente forma de de divulgar suas idéias e ampliar seu reconhecimento no mercado.


Aumento de lides envolvendo a Web 2.0

09/02/2009

Processos envolvendo redes sociais não são um privilégio do Orkut.

Tenha acesso a interessante estudo do San Francisco Chronicle aqui.


565 Advogados para seguir no Twitter

05/02/2009

E a lista não para de crescer!

http://scoop.jdsupra.com/2008/09/articles/law-firm-marketing/145-lawyers-and-legal-professionals-to-follow-on-twitter/


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